O CHANGE esteve no Encontro Ciência e Inovação 2026, o primeiro grande evento da Agência para a Investigação e Inovação (AI²), contribuindo para o debate e construção conjunta dos domínios estratégicos para a ciência, tecnologia e inovação em Portugal nas próximas décadas.
O CHANGE participou activamente neste Encontro, liderando 14 propostas e integrando mais 10 iniciativas em 8 sessões temáticas distintas.
Refletindo a abrangência e relevância do conhecimento produzido, investigadores do CHANGE contribuíram para sessões temáticas sobre “Solo, água e clima”, “Território e Biodiversidade”, “Agricultura, agroalimentar e bioeconomia”, “Energia, descarbonização e circularidade” até “Floresta e fogo”, integrando ainda outros domínios como “Parcerias internacionais para a Excelência”, “Das áreas temáticas aos domínios estratégicos da AI²” e “Ciências sociais e Humanidades”.
Na sessão “Solo, água e clima”, investigadores do CHANGE lideraram quatro propostas sobre a adaptação às alterações climáticas, a gestão sustentável dos recursos hídricos e a valorização dos solos como recurso estratégico para a sustentabilidade. Ana Mendes (MED) foi a proponente principal do tema “Água para as Próximas Décadas: Prioridades Nacionais para a Investigação e Inovação”, onde propôs identificar desafios e prioridades estratégicas para a gestão sustentável dos recursos hídricos em Portugal, reforçando o papel da ciência na adaptação às alterações climáticas. Sobre os solos, Isabel Brito (MED) apresentou a iniciativa “Uma Estratégia Nacional para a Investigação, Monitorização e Gestão dos Solos em Portugal”, propondo uma agenda nacional de monitorização dos solos como recurso estratégico para a agricultura, biodiversidade e resiliência territorial; enquanto, Ana Caroline Royer (MED) liderou a proposta “Solo como recurso estratégico: caminhos para integrar ciência, agricultura e políticas públicas”, reforçando a necessidade de uma abordagem integrada para a conservação dos solos, articulando conhecimento científico, práticas agrícolas e políticas públicas. Por sua vez, Francisco Ferreira (CENSE) avançou a proposta “Ciência e inovação para a resiliência climática: preparar Portugal para eventos extremos”, sublinhando a importância de preparar o país para fenómenos climáticos extremos, desenvolvendo estratégias de adaptação e ferramentas de apoio à decisão. Estes contributos reforçam a importância de abordagens integradas para responder a desafios na gestão da água, solos e clima, salientando o contributo da ciência na adaptação às alterações climáticas.

Na sessão “Agricultura, Agroalimentar e Bioeconomia”, o CHANGE avançou diversas prioridades estratégicas para o futuro dos sistemas agroalimentares em Portugal, integrando no total sete propostas. Fátima Baptista (MED) liderou a proposta “Agroalimentar em Portugal: Ciência & Inovação pilares da Segurança e Soberania”, onde destacou o papel da ciência para reforçar a segurança e soberania alimentar e aumentar a competitividade do setor, num contexto de crescente instabilidade climática e geopolítica. Maria do Rosário Félix (MED) avançou a proposta “Agricultura Intensiva Mediterrânica: Motor da Transição Ecológica Europeia”, sublinhando a importância da agricultura mediterrânica para a sustentabilidade da produção alimentar na Europa. Por fim, Marta Laranjo (MED) liderou a proposta “Sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis do prado ao prato”, enfatizando uma abordagem integrada para a transformação dos sistemas alimentares, desde a produção ao consumo, através de dietas sustentáveis, redução do desperdício alimentar, valorização de recursos e princípios de economia circular. Na mesma sessão, investigadores do MED avançaram ainda propostas sobre “Sistemas Silvopastoris Mediterrânicos” (Alfredo Pereira), “Biodiversidade em agroecossistemas” (Ricardo Pita), “Pagamentos por Resultados” (Maria Isabel Oliveira) e, pelo CEBAL, “Circularidade no Agroalimentar” (Fátima Duarte). Em conjunto, estas propostas contribuíram para o debate sobre segurança e soberania alimentar, promovendo sistemas alimentares mais sustentáveis, resilientes e competitivos.
Foto de Rui Lourenço (MED).jpg)
Na sessão “Território e Biodiversidade”, investigadores do CHANGE integraram seis propostas, abordando desafios ligados à perda de biodiversidade, alterações climáticas e coesão territorial. Alice Nunes (CE3C) apresentou o tema “Restaurar a Natureza em Portugal: Ciência e Inovação para um Futuro Resiliente”, propondo acelerar o restauro de ecossistemas degradados para aumentar a resiliência dos territórios às alterações climáticas, travar a perda de biodiversidade e promover soluções baseadas na natureza. Por sua vez, Diogo Alagador (MED) liderou a proposta “A Ciência e as Soluções Territoriais para a Biodiversidade e a Natureza sob Desafios Globais”, promovendo a implementação de soluções territoriais para responder simultaneamente aos desafios de conservação da biodiversidade, adaptação às alterações climáticas e alterações no uso do solo. Por fim, Joana Canelas (CHANGE) avançou a proposta “Diversidade biocultural para transições sustentáveis: biodiversidade, soberania alimentar, coesão territorial e resiliência climática”, sublinhando a importância de valorizar os recursos naturais e culturais dos territórios, integrando as comunidades locais na conservação da biodiversidade e adaptação climática. Investigadores do CHANGE contribuíram ainda para o debate sobre “Polinizadores e polinização” (Paulo Borges, CE3C), “Ecossistemas Inteligentes: Plataformas colaborativas para a Resiliência e Inovação” (Mónica Cunha, CE3C; Rui Lourenço e Marta Laranjo, MED) e “Inteligência Territorial para a Ação Coletiva em Territórios de Baixa Densidade” (Maria de Belém Freitas, MED; e Mónica Cunha, CE3C). Estes contributos promoveram a biodiversidade, os ecossistemas e os territórios como elementos centrais de transições sustentáveis, afirmando o papel da ciência na construção de paisagens mais resilientes, inclusivas e adaptadas aos desafios globais.
Foto de João Loureiro (CFE)
Na sessão “Energia, descarbonização e circularidade”, o CHANGE avançou três propostas que contribuíram para o debate sobre neutralidade carbónica, reforçando a importância da justiça social, competitividade económica e sustentabilidade ambiental. João Pedro Gouveia (CENSE) liderou a proposta “Rumo a uma transição energética justa e inclusiva em Portugal”, onde destacou os desafios associados à pobreza energética, à eficiência energética dos edifícios e à distribuição equitativa dos benefícios da transição energética, defendendo a necessidade de colocar as pessoas e os territórios no centro das políticas de descarbonização. Já a proposta “Inovação Circular em Portugal: prioridades estratégicas para a AI²”, avançada por Rita Lopes (CENSE) em articulação com o CECOLAB, evidenciou o potencial da economia circular para aumentar a competitividade e acelerar a criação de valor, através da utilização eficiente de recursos e redução de desperdícios. Por sua vez, Dominik Noll (MED) integrou a proposta apresentada pelo LNEG, “Recursos Naturais para a Transição Energética – Unindo o conhecimento científico e as perspectivas de mercado”, onde se salientou a importância de garantir uma exploração responsável e sustentável de recursos naturais para a transição energética. Estes contributos propõem uma visão integrada da neutralidade carbónica, que não exige apenas inovação tecnológica, mas também novos modelos de governança, maior circularidade económica e uma forte dimensão social, garantindo a distribuição justa de benefícios pela sociedade.
Foto de Francisco Ferreira (CENSE)
Na sessão “Floresta e fogo”, Dalila Serpa (MED) e Sergio Chozas (CE3C) integraram a proposta “Repensar a Gestão Pós-Fogo em Portugal”, apresentada pelo CESAM, promovendo uma abordagem integrada à recuperação dos territórios afetados pelos incêndios, com soluções baseadas em evidência científica para restaurar solos, recursos hídricos, biodiversidade e paisagens.
Enquanto, na sessão “Ciências Sociais e Humanidades”, Francisco Ferreira (CENSE) apresentou o tema “Computadores e acessibilidade: apoiar a investigação ao serviço das pessoas com deficiência”, onde salientou o potencial das tecnologias digitais para promover a inclusão e melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência, eliminando barreiras no acesso à informação, participação social, educação e serviços, para uma sociedade mais inclusiva.
Por fim, Fátima Baptista (MED) integrou a sessão “Parcerias internacionais para a Excelência”, como coordenadora do projecto “Teaming for Excellence”, MED SOIL+, que promove o reforço da capacidade nacional na transição para práticas regenerativas do solo e na implementação da Lei Europeia de Monitorização dos Solos. Por sua vez, Cristina Máguas (CE3C) participou na sessão “Das áreas temáticas aos domínios estratégicos da AI²” liderando a proposta “Delinear o Futuro: da Consulta ‘Bottom-up’ ao Diálogo Nacional”, onde destacou a importância de modelos participativos (“bottom-up”) na construção de políticas de investigação e inovação, refletindo sobre a integração de contributos numa articulação entre ciência, sociedade e tomada de decisão para a definição das prioridades estratégicas da AI².