Encontro Anual do CHANGE promove reflexão sobre os desafios e prioridades para o futuro

“Transformative CHANGE for a Resilient and Nature-Positive Future: Securing Food, Energy and Natural Resource Systems” foi o tema central do Encontro Anual do Laboratório Associado CHANGE, que decorreu nos dias 23 e 24 de setembro, na NOVA FCT – Campus da Caparica. O evento reuniu a comunidade CHANGE e convidados de várias organizações nacionais e internacionais, para um dia de reflexão, debate e definição conjunta de prioridades para o futuro.

No encontro discutiu-se a contribuição do CHANGE para a transformação dos sistemas agroalimentares, energéticos e de recursos naturais. Através de sessões de co-criação identificaram-se também objetivos e ações estratégicas futuras. O encontro acolheu várias intervenções de oradores convidados e promoveu a interação com representantes da Comissão Multi-Ator do CHANGE, contribuindo para a consolidação de sinergias, redes de colaboração e novas oportunidades de trabalho conjunto.

Foto de Patrícia Carvalho (CE3C)

No pré-evento, além da visita guiada ao CENIMAT (NOVA FCT), a sessão plenária contou com uma apresentação de Francisco Ferreira (CENSE) sobre “Inteligência artificial: que riscos para a sustentabilidade?”, abordando o impacto dos centros de dados e o seu papel como “aliados da transição verde ou predadores de recursos”, seguida de uma apresentação de Theo Fernandes (CENSE) sobre a mudança trazida pela inteligência artificial nas “decisões públicas sobre água, ambiente e território”.

Durante a manhã, o evento contou com duas palestras plenárias. A intervenção de Júlia Seixas (CENSE) – "The Times They Are a-Changing" – partiu dos limites planetários para mostrar que as pressões ambientais partilham causas e se amplificam entre si, ilustrando com os impactos do verão de 2026 na Europa (calor extremo, seca e incêndios), concluindo com a ciência dos pontos de viragem positivos e a pergunta sobre como o CHANGE pode contribuir. Por outro lado, a apresentação de Carlos das Neves (EFSA) – “Ambiente em mudança, sistemas alimentares em mudança, ciência em mudança?” – refletiu sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e os efeitos de alterações globais, incluindo doenças emergentes, perda de biodiversidade e pressões sobre os sistemas alimentares (clima, água e solo), defendendo uma avaliação de risco mais robusta e uma ciência presente na sociedade, traduzindo conhecimento para decisores políticos. 

Foto de João Lima (NOVA FCT)

Foto de João Lima (NOVA FCT)

Este encontro proporcionou ainda um momento privilegiado para avaliar o percurso do CHANGE desde 2021, refletindo sobre o seu impacto na resposta aos desafios globais e emergentes, desde a preservação dos ecossistemas e sustentabilidade agroalimentar, até à transição energética, economia circular e coesão territorial. Desde a sua criação, o CHANGE tem contribuído para a consolidação da sustentabilidade e resiliência do território nacional através de abordagens integradas e transformativas, tendo traduzido investigação em políticas públicas. No setor agrícola, o Montado Living Lab envolve 39 parceiros, incluindo 20 herdades experimentais na regeneração do montado, fundamentando modelos de pagamento por resultados já integrados no PEPAC. Na gestão ambiental e hídrica, o CHANGE influenciou o Plano Nacional de Restauro da Natureza e a Estratégia Nacional «Água que Une»; enquanto no âmbito energético tem atuado na transição justa através do ordenamento do setor solar fotovoltaico e do combate à pobreza energética.

Um dos momentos centrais do programa foi a mesa-redonda com um painel multi-ator, que reuniu representantes externos de diferentes setores de atividade – desde a gestão das florestas e da água, até à energia, saúde e governança. Esta diversidade permitiu alargar o debate a diferentes perspetivas, promovendo uma reflexão conjunta sobre as necessidades reais da sociedade e o possível contributo da ciência para responder aos atuais desafios ambientais, sociais e económicos. As intervenções destacaram a importância de uma ciência mais próxima da sociedade, capaz de mobilizar eficazmente o conhecimento existente em prol da implementação de soluções robustas, viáveis e sustentáveis. Neste contexto, o valor acrescentado do CHANGE poderá residir não só na produção de mais conhecimento, mas principalmente na capacidade de traduzir o conhecimento existente em soluções concretas, promovendo a articulação entre diferentes disciplinas, setores, comunidades e níveis de decisão, na resposta aos grandes desafios atuais e futuros.

Foto de João Lima (NOVA FCT)

O encontro visou ainda contribuir para a co-criação do plano de ação estratégica do CHANGE para os próximos anos, reforçando o compromisso da comunidade com a investigação transdisciplinar e transformativa, orientada para os grandes desafios globais e alinhada com as linhas de intervenção do CHANGE. Assim, na parte da tarde, foram realizadas 6 sessões de co-criação paralelas, com investigadores de diversas áreas e níveis de carreira, incidindo sobre temas transversais, considerados prioritários face aos actuais desafios globais, nomeadamente: (1) alterações climáticas; (2) biodiversidade e restauro ecológico; (3) sistemas alimentares sustentáveis; (4) recursos naturais e poluição; (5) transição energética; e (6) governança, desigualdades sociais e justiça ambiental. Foram elaborados objectivos e acções estratégicas para abordar cada uma destas áreas temáticas, estabelecendo um grupo de trabalho para dar continuidade às discussões iniciadas esta tarde.

O Encontro Anual permitiu reforçar a coesão da comunidade científica do CHANGE, consolidar a colaboração com diversos setores de atividade e identificar desafios prioritários da sociedade, onde o CHANGE poderá criar maior impacto. O encontro terminou sublinhando a importância da colaboração entre as três unidades de investigação e diferentes sectores da sociedade. No final, o CHANGE reafirmou o seu compromisso com uma abordagem transdisciplinar, integrada e colaborativa, capaz de traduzir conhecimento científico para abordar os grandes desafios contemporâneos e informar melhores processos de decisão, baseados em evidência. 

Marta Laranjo. Foto de João Lima (NOVA FCT)

Susana Filipe. Foto de João Lima (NOVA FCT)

José Alferes. Foto de João Lima (NOVA FCT)

Visita ao CENIMAT. Foto de Lia Laporta (CENSE)

Workshops. Foto de Patricia Carvalho (CE3C)

Workshops de Co-Criação. Foto de Lia Laporta (CENSE)

Workshops de Co-Criação. Foto de Sofia Teixeira (CENSE)

Posters. Foto de Lia Laporta (CENSE)

Poster. Foto de Lia Laporta (CENSE)

Posters. Foto de Lia Laporta (CENSE)

Plenaria. Foto de Patricia Carvalho (CE3C)

Encerramento. Foto de Patricia carvalho (CE3C)