Da ciência à ação: o novo paradigma das políticas públicas exige parar de responder a crises e passar a governar com evidências

Laboratórios Associados CHANGE e TERRA publicam o Resumo Executivo da Conferência "Science Based Policy Making - Building a Better Future", com recomendações para políticas públicas.

Os Laboratórios Associados TERRA e CHANGE publicaram o resumo executivo com as principais conclusões da conferência Science for Policy, realizada em março deste ano, que reuniu investigadores, decisores políticos e outras partes interessadas em torno de cinco áreas temáticas: Solo e Agricultura, Restauro e Conservação da Natureza, Pessoas e Uso do Solo, Resiliência Climática & Energética e One Health. O objetivo do encontro, agora resumido neste documento, foi discutir como a evidência científica pode ser integrada de forma mais eficaz no desenho e implementação das políticas públicas em Portugal.

Desafios persistentes: tempos, linguagens e sistemas que não se encontram

O diagnóstico das cinco áreas revela uma convergência clara:
• Descompasso entre os tempos da ciência e os tempos da política, dificultando decisões informadas em ciclos eleitorais curtos.
• Barreiras linguísticas e culturais entre investigadores e decisores, que impedem a tradução de dados técnicos em recomendações acionáveis.
• Fragmentação institucional e ausência de interoperabilidade de dados, que limita uma visão sistémica dos problemas.
• Sistemas de monitorização centrados em processos administrativos, e não no impacto real das medidas.

Oportunidades para transformar o sistema: mediação, dados abertos e co-design

O documento identifica oportunidades concretas para alavancar o impacto da ciência nas políticas públicas:
• Criação de mecanismos formais de mediação, como knowledge brokers e estruturas de interface permanentes entre academia e governo.
• Políticas de dados abertos e capacitação técnica da Administração Pública como pilares para decisões mais robustas.
• Modelos de co-design, envolvendo investigadores desde o início da formulação das políticas.
• Financiamento estável, com monitorização científica obrigatória a longo prazo.

Conclusões: institucionalizar a ciência na política

O resumo executivo defende que as áreas prioritárias de intervenção devem focar-se em:
• Conselhos consultivos permanentes que assegurem continuidade e independência científica.
• Literacia recíproca entre cientistas e decisores, reduzindo ruído e aumentando confiança.
• Plataformas de monitorização baseadas em indicadores biofísicos reais, permitindo ajustar políticas dinamicamente.

As intervenções dos oradores principais David Mair e Henrik Vejre reforçaram que a eficácia das políticas públicas depende da Elaboração de Políticas Informadas por Evidências, garantindo dados relevantes e legítimos no momento certo. O exemplo do
Acordo Tripartite Verde Dinamarquês demonstra como a colaboração entre governo, setor privado e sindicatos pode operacionalizar reformas profundas no uso do solo para enfrentar crises climáticas e de biodiversidade.

O documento sublinha que a implementação destas estratégias exige mediadores de conhecimento capazes de ligar a academia aos decisores, integrando evidências científicas de ponta e ferramentas digitais nas transições verde e digital.

O Resumo Executivo da Conferência "Science Based Policy Making - Building a Better Future" - 2026 está disponível na íntegra em: https://doi.org/10.5281/zenodo.21821647 

Science Based Policy Making - Building a Better Future

Resumo Executivo