CHANGE na Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP17) na Arménia

Por Francisco Ferreira.

A Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade em Ierevan (COP17 da Convenção sobre Diversidade Biológica) terminou este sábado, 31 de outubro, com um contraste preocupante entre evidência científica e ação política. 

Dois cientistas do CHANGE, Francisco Ferreira do CENSE e Jorge Palmeirim do CE3C participaram ativamente nas negociações na delegação portuguesa, a convite do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). 

A primeira revisão global do Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal mostra que menos de metade das metas nacionais avaliadas estão no bom caminho para 2030. Mesmo que os compromissos atuais sejam cumpridos, as principais metas de conservação continuarão por atingir. 

Apesar dos progressos técnicos, decisões importantes sobre o financiamento foram adiadas, os subsídios prejudiciais para a biodiversidade continuam a não ser suficientemente abordados, e algumas negociações enfraqueceram as referências à ciência e aos direitos humanos. 

Como cientistas, sabemos que proteger ecossistemas intactos, restaurar habitats degradados e abordar as relações entre biodiversidade, clima, água, alimentação e saúde são essenciais. Uma melhor monitorização, evidência científica mais robusta e participação mais significativa das comunidades devem orientar a ação. 

O verdadeiro desafio já não é apenas compreender a perda de biodiversidade, mas traduzir o conhecimento em políticas eficazes. 

Em conclusão, a discrepância entre o que a ciência nos diz e o que os governos fazem continua a ser profundamente preocupante. A natureza não pode esperar até 2028. 

  

Texto e fotos de Francisco Ferreira.